Entenda porque a parceria entre a Gucci e a Balenciaga não é uma collab

07/10/2021

No último trimestre de 2020 a plataforma de compras online Lyst classificou a Gucci como primeiro lugar e Balenciaga como segundo no ranking das grifes mais desejadas da moda, levando em conta desde buscas online até conversão em vendas e menções em mídias sociais. Com o objetivo de manter essa métrica no ano de 2021 e definir uma nova era na indústria do luxo as duas principais - e mais lucrativas - marcas do grupo francês Kering uniram forças e elementos em seus respectivos desfiles.

Neste post você vai ver sobre:

  • A não collab entre Gucci x Balenciaga
  • A coleção Aria da Gucci

  • 100 anos da Gucci

  • Fotos e vídeo da coleção Aria da Gucci


A não collab entre Gucci x Balenciaga

Look que mistura as logos e alguns elementos chave da Gucci e da Balenciaga.
Look que mistura as logos e alguns elementos chave da Gucci e da Balenciaga.

Tudo começou no dia 15 de Abril deste ano quando Alessandro Michele, diretor criativo da Italiana Gucci, apresentou sua coleção de outono inverno 2021 com um desfile virtual dirigido por ele mesmo em parceria com Floria Sigismondi, que tem um trabalho bastante surrealista e já criou para nomes como Marilyn Manson e David Bowie.

O desfile digital, que também serviu para abrir as comemorações pelo centenário da marca Gucci, começa mostrando uma boate chamada Savoy Club, uma homenagem a Guccio Gucci, fundador da empresa, que trabalhava desde os 16 anos como ascensorista no hotel Savoy, em Londres.

Em seguida, o filme passa alguns minutos exibindo os modelos em uma passarela toda branca, iluminada por vários flashes de câmeras e celulares e um teto de LED até que eles mudam de ambiente e encontram um espaço aberto, com uma natureza bucólica, onde eles podem correr, se tocar e até levitar.

Além de revisitar alguns looks clássicos da marca, principalmente elementos criados por Tom Ford nos anos 90, a coleção traz muitos elementos reinterpretando silhuetas e códigos inconformistas explorados por Demna Gvasalia, diretor criativo da Balenciaga.

Segundo Alessandro Michele, apesar de servir como marco na história da moda essa parceria entre as marcas não se trata de uma collab oficial e está mais para um "hacking lab", algo que pode ser traduzido como um experimento de invasão entre as duas marcas, misturando seus principais elementos e os seus logotipos.

A coleção Aria da Gucci

Alessandro Michele, o atual diretor criativo da Gucci.
Alessandro Michele, o atual diretor criativo da Gucci.

Nas palavras do diretor criativo, a coleção, que ganhou apelido de "Gucciaga" mas recebe o nome oficial de Aria (palavra que em Italiano significa ar) é "um mergulho profundo e extático em tudo que sentimos saudades hoje... um jubileu de respiração."

"Eu saqueei o rigor inconformista de Demna Gvasalia e a tensão sexual de Tom Ford. Celebrei o mundo equestre de Gucci transformando-o em uma cosmogonia fetichista; sublimei a silhueta de Marilyn Monroe e o glamour da velha Hollywood. Sabotei o charme discreto da burguesia e os códigos da alfaiataria masculina", declarou Michele.

O objetivo de Alessandro nessa coleção comemorativa não foi de trazer de volta todo o acervo dos 100 anos de existência da marca, mas sim explorar o imaginário e viajar pela mitologia do que ele acredita que a história da Gucci representa.

Além de explorar o arquivo desses cem anos de Gucci o diretor criativo traz novos ares para a marca, através dos volumes e shapes exagerados, largos, quadrados e mais ousados, que são marca registrada da Balenciaga e que Demna Gvasalia vem reinventando desde que assumiu a direção criativa da maison.

A coleção, que chegou mês passado às lojas do mundo inteiro, chega acompanhada de uma campanha fotografada pela dupla Mert Alas e Marcus Piggott, com direção criativa do próprio Alessandro Michele No filme promocional da campanha, que tem como tema central o ímpeto revolucionário e alegre de eros, modelos leem obras ou ensaios sobre o desejo, em vídeo para maiores de 18 anos.

A campanha também teve como cenário o hotel Savoy de Londres e contou com um elenco diverso, destaque para os membros da banda italiana Måneskin e para a modelo norte-americana Kristen McMenamy, conhecida por redefinir as convenções de beleza ao longo de sua carreira.

Veja o vídeo do desfile e mais looks da coleção nas fotos no final desse post.

100 anos da Gucci

A história dessa marca centenária começa em 1897 quando Guccio Gucci, aos 16 anos, deixou Florença para trabalhar em Londres, como ascensorista no grande Hotel Savoy.

Foi observando as malas dos hóspedes sofisticados e cosmopolitas que ali se hospedavam que Guccio se apaixonou por esse tipo de acessório e teve a inspiração de voltar à sua cidade natal e trabalhar para uma fabricante de couros chamada Franzi, enquanto amadurecia o sonho de ter seu próprio negócio.

Assim, em 1921, nascia a Gucci, que num primeiro momento produzia artigos de luxo em couro para viagens e equipamentos equestres.

Alguns anos mais tarde, com a escassez de couro causada pela primeira guerra mundial a marca se viu obrigada a integrar ao seu catálogo outros tipos de matéria base, como malharia e seda, expandindo assim para o ramo do vestuário.

Foi também nessa época que surgiram dois dos maiores símbolos da marca até hoje: a logomarca com a letra G duplicada e a icônica faixa de duas tiras verdes interrompida por uma vermelha ao meio, criada em referência às selas dos cavalos.

Com o passar do tempo os três filhos de Guccio começam a ter participação ativa na empresa e assim Aldo, Vasco e Rodolfo acabam se tornando herdeiros da marca com a missão de expandir os negócios da família internacionalmente.

Na década de 50 os acessórios da marca conquistaram as principais celebridades de Hollywood. Nomes como Grace Kelly, Elizabeth Taylor e Jackie Kennedy se tornaram clientes assíduos de suas bolsas, que já na época eram vendidas como acessórios unissex e se tornaram itens marcantes no visual de alguns homens, como Peter Sellers e o dramaturgo Samuel Becket, que carregavam um modelo de bolsa hobo pra todo lado.

Mas apesar de todo o sucesso com o publico e a expansão cada vez maior da marca atritos entre os membros da família Gucci colocaram a empresa várias vezes à beira da falência. Tais conflitos fizeram com que em 1993 a empresa fosse vendida ao grupo Investcorp, desvinculando a empresa homônima de todo o drama e conflitos da família Gucci.

Em 1994 Tom Ford se torna o novo diretor criativo da casa e consegue recuperar a relevância da empresa simplificando a identidade da grife enquanto restaura o desejo e opulência da marca injetando muita sexualidade não só em suas roupas e acessórios como em campanhas mega polêmicas que marcaram a memória de toda uma geração.

A década de 2000 trouxe grandes mudanças para a marca, primeiro ela passou a pertencer ao grupo Kering, onde ela se mantém até hoje. Depois de dez anos de muita polêmica (e lucro) como diretor criativo, Tom Ford deixa a marca em 2004, por desavenças nas decisões criativas.

Após um período sem grandes abalos na label, em 2016 o até então não muito conhecido e bastante excêntrico Alessandro Michele assume a direção criativa da Gucci e chega mudando tudo. Entre as principais mudanças Alessandro passou a misturar os gêneros dentro de suas coleções, que passaram a fugir dos tradicionais calendários de desfiles. O maximalismo de Michele vira um case de marketing a ser estudado, transformando os seus próprios canais e redes sociais em veículos de comunicação.

Fotos e vídeo da coleção Aria da Gucci

Confira um compilado com os principais looks da coleção outono inverno da Gucci que comemora o centenário da marca.


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