Combate a pirataria em São Paulo com delegado Wagner Carrasco

Veja a entrevista com o Delegado Wagner Carrasco, 1° titular da delegacia do DIG/DEIC do estado de São Paulo, a entrevista foi feita no Instagram no formato de uma Live, onde o João Carlos, fundador da No Fake bateu um papo com o Dr Carrasco sobre o combate a pirataria em São Paulo.

Delegado Wagner Carrasco
Delegado Wagner Carrasco

Antes de começarmos, queremos parabenizar ao Dr. Carrasco pelo brilhante trabalho que ele realiza a frente do DIG/DEIC a delegacia conhecida como a "delegacia anti-pirataria", à todos os companheiros de trabalhado que fazem um trabalho heroico combatendo os crime contra propriedade imaterial, ao poder público do estado de São Paulo que junto a iniciativa privada vem fazendo um trabalho histórico de coordenação para combater a pirataria no estado.


Na live foram abordados vários assuntos como:


  • A história do delegado Wagner Carrasco até assumir a titularidade do DIG/DEIC-SP.
  • Os crimes de violação de direito autoral.
  • A influência do COVID-19 no mercado ilegal, as operações da delegacia durante a pandemia do Corona vírus.
  • As estratégias do DIG/DEIC-SP para combater a pirataria.
  • Recordes de apreensões de produtos falsificados no ano de 2019.
  • Apreensões de "Réplicas" de carros esportivos de luxo, remédios falsificados, DVDs, fechamento de fábricas de perfumes, calçados, roupas falsificadas.
  • Operação que fechou um Shopping no Brás, que acabou apreendendo 370 toneladas de produtos falsificados.
  • O reconhecimento do trabalho do Dr Carrasco e toda a delegacia por órgãos nocionais e internacionais. 


Você pode assistir a live no vídeo abaixo, ou ler a transcrição logo abaixo. 



A live aconteceu no dia 23 de julho de 2020, através do Instagram da NoFake (@nofake_brands) e o Instagram do Dr Carrasco.

Se preferir, leia a transcrição da live:


João Carlos NoFake:

Estamos hoje com o delegado Wagner carrasco da Polícia Civil do Estado de São Paulo que é uma referência no assunto combate à pirataria ele está a frente de várias operações de combate à pirataria no Estado de São Paulo. 

Delegado Wagner Carrasco:

Muito obrigado, eu quem agradeço por estar aqui, é um prazer estar participando dessa live com vocês, é uma satisfação poder esclarecer alguns assuntos relacionados à pirataria.


João Carlos NoFake:

Delegado pra gente começar, queria que o senhor contasse um pouco da sua história, como o Dr chegou a assumir a titularidade DIG em São Paulo.


Delegado Wagner Carrasco:

Certo, eu estou já na Polícia Civil e no serviço público na verdade há quase 20 anos, esse ano vou completar 20 anos de serviço público. Trabalhei sempre na Secretaria de Segurança Pública e na Polícia Civil. Eu já estive em alguns departamentos no departamento da capital e trabalhei alguns distritos policiais locais da capital e posteriormente tive o privilégio de ter trabalhado mudei na Divisão de Crimes contra o patrimônio onde permaneci um tempo e meu minha última estada ali foi o Departamento de Narcóticos aqui em São Paulo em que permaneci mais 4 (quatro) anos e fui titular de uma delegacia lá combatendo o narcotráfico aqui no Estado de São Paulo e foi com esse conhecimento até esse aprendizado que nós tivemos lá até de combate crimes patrimoniais bem como crimes de narcóticos e crimes de tráfico de droga que nós trouxemos para cá (DIG) e ao assumir a delegacia no início do ano passado no início de 2019 eu vim ser titular da Delegacia da 1ª Delegacia da DIG do Deic que a Delegacia Antipirataria do Deic.


João Carlos NoFake:

E desde então vem fazendo um excelente trabalho, no ano passado a gente tivemos um grande número de apreensões. Delegado, queria que o senhor falasse mais sobre o crime de falsificação pra podermos contextualizar o pessoal.


Delegado Wagner Carrasco:

Certo, quando nós falamos de crimes de falsificação crime de pirataria modo geral, pra gente não entrar muito dentro de termos jurídicos etc. Para falar de forma mais geral e tentar explicar melhor o que acontece.

Vai depender muito do tipo de conduta que for praticada e do tipo de bem jurídico ou o tipo de bem tutelado pelo legislador que foi violado.

Nós que trabalhamos e temos uma atribuição que abrange desde crimes previstos no Código Penal que trata se basicamente de violações ao direito autoral e também dos crimes que violam a propriedade industrial de modo geral. Dentre eles patentes marcas todos esses que são bens jurídicos protegidos pelo legislador e o nosso arcabouço jurídico aqui e a gente trabalha dentro dessa área de atuação e dentro desse ramo do Direito no que tange à proteção a esses bens jurídicos o mais comum é o que mais acontece para nossa pessoa entender melhor o que nós atuamos mais no dia a dia são com relação à verdade e aos crimes contra a propriedade industrial.

Por exemplo para quem tem um entendimento melhor se nós tivermos falando aí de uma falsificação de CDs ou então de sinais a cabo, stream desse tipo de coisa nós estamos falando de uma violação ao direito autoral que está previsto lá no Código Penal no artigo 184 se a gente estivermos tratando aí de uma falsificação de roupa ou calçado nós estamos lidando tratando aí dos crimes contra a Propriedade Industrial.

Então vai depender do tipo de contrafação do tipo de falsificação que ocorre, bem como também de mostram que muitas vezes algumas falsificações acabam ensejando também uma responsabilização por crime contra a saúde pública como por exemplo nas hipóteses em que alguma falsificação de remédio ou mesmo uma falsificação de um álcool em gel como nós vimos ali muito aconteceram nesse período de pandemia. Então aí também teria enquadramento legal dentro desses crimes específicos e todo esse ramo abrangido pela atuação da nossa delegacia aqui do Deic.


João Carlos NoFake:

Interessante e recentemente com a pandemia (COVID-19) o senhor tem percebido uma migração da pirataria? Para onde os falsificadores estão migrando?


Delgado Wagner Carrasco:

Desde que nós chegamos aqui (DIG/DEIC-SP) nós estabelecemos uma metodologia de trabalho e algumas estratégias de trabalho que surtiram aqueles surpreendentes resultados no ano de 2019 que você mesmo citou.

Entretanto e nós continuamos a executar trabalho com base naquela estratégia inicial de 2019 ao entrar em 2020 e com a chegada do (Corona) vírus covid-19 e a entrada da pandemia que iniciou se em 22 de março mais ou menos, nós tivemos que reformular e começar a pensar em uma forma de atuação diferente porque bem como você observou os falsificadores também alteraram. Eles buscam a comercialização disso. Então eles vão buscar a clientela em conformidade com aquilo que o consumidor busca no mercado.

Então em virtude da pandemia o que passou a ser buscado no mercado principalmente naquela fase inicial de pandemia quando ainda não havia uma flexibilização total da Anvisa em termos de produção de álcool em gel etc.

O que se tinha bastante era falsificação de álcool em gel, muita falsificação de máscara porque é o que passou a vender.


Então nós tivermos uma queda de comercialização de roupa por exemplo de modo geral as máscaras tiveram um salto na produção e dentre outros produtos até cita um exemplo que o acusou de pirataria mas conversando com um vendedor de sofá, ele até me disse ele falou eu perguntei "como está o mercado para você está aí? Está ruim?"  Ele disse, "pelo contrário doutor; o mercado está superaquecido porque o pessoal está cumprindo a quarentena ficando em casa e percebe que eles estão precisando usar mais sofás do que antigamente".

Então por conta disso eles começaram a procurar sofás melhores. Então é mais ou menos fazendo um paralelo dessa conversa traçando uma analogia mais ou menos isso, ou seja, o mercado dele também ele se molda conforme a situação e foi isso que nós vimos e nós tivemos que alterar então a nossa estratégia de trabalho para continuarmos a ser efetivos. Tal qual nós somos em 2019, e por isso que nós inclusive na pandemia a delegacia não parou. Nós continuamos trabalhando e focando a nossa atuação em fábricas em depósitos grandes que armazenava produtos esperando o término da pandemia ou então que produziam máscaras ou que produziam aquelas coisas que têm uma maior facilidade para comercialização e que é muito vendida através da internet.


João Carlos NoFake:

Fazendo um paralelo, eu acho que devemos sempre observar quais são as tendências do mercado, as tendências do consumo, porque os falsificadores, eles vão entrar aí (quando) eles veem uma oportunidade eles vão entrar. Assim poderemos está sempre à frente deles mesmo que com essas migrações que eles fazem do mercado. 

Mas você pode contar um pouquinho mais sobre essa estratégia que tem dado tão certo quanto em 2019?


Delgado Wagner Carrasco:

Na verdade o que nos ajudou e a estratégia que nós acabamos adotando foi pautado nesse Know how que nós temos, tanto eu quanto minha equipe que já está junto há um tempo e a gente veio para cá (DIG/DEIC-SP) começou a desenvolver no seguinte sentido, nós deixamos de sufocar, não que nós deixamos, na verdade nós não pensamos exclusivamente naquela ponta de comercialização que são as lojas. Nós passamos a ver, identificar e traçar toda a cadeia de comercialização de produtos piratas desde a sua produção, armazenamento, transporte e o derradeiro a distribuição e nós começamos a atuar em todos esses segmentos, então dependendo da oportunidade que nós temos e do momento em que a gente consegue entrar nos levantamentos e na investigação a gente atua em qualquer uma dessas etapas.

Então nós temos um foco inicial até para atacar essa produção e esse armazenamento que ali em uma operação a gente acaba evitando que isso armazene pra dezenas de lojas que esse produto chegue em dezenas de lojas e faça o que nós façamos de varias operações ou trabalho ao invés de fazer um só trabalho e pegar todo aquele produto que chegaria então às mãos de dez lojas ou dez pontos comerciais. Então basicamente foi isso o que nós fazemos, quem trabalha com o narcótico faz, ele acaba trabalhando não só sufocando mas também faz sufocando os pontos de venda mas é muito mais interessante muito mais efetivo você pegar aquele ponto de distribuição o local em que ficam armazenados produtos e o local em que produz que nós chamamos desabou laboratórios que produziam e aqui nós temos as confecções e fábricas que produzem os produtos piratas.


João Carlos NoFake: 

E de fato é uma estratégia bem mais inteligente.

Se a gente parar para pensar a gente pensa muito que a pirataria vem muito de fora do pais, mas hoje em dia no Brasil já tem alguns pontos onde a produção né, você pode comentar um pouco sobre isso?


Delgado Wagner Carrasco:

Sim, sempre tem se uma ideia de que de que a maioria, nós não sabemos de massa a maioria sim ou não mas que o produto pirata ele só vem do exterior de outros países.

Mas isso não é verdade, isso na verdade e principalmente nós desenvolvendo o trabalho aqui à frente da 1ª Delegacia nós começamos verificar que nós temos no Estado de São Paulo alguns polos de produção de falsificados assim como nós temos outros estados aqui no Brasil também locais em que produzem determinados tipos de produtos piratas bem como na própria capital por exemplo nós temos e nós atuamos principalmente nesses tempos de pandemia em diversas confecções.

Então esses produtos roupas piratas e máscaras piratas até almofadas de certa forma falsificadas ela saiu daqui mesmo de São Paulo de algumas confecções ou da capital região metropolitana. Fábrica de perfume contrafeito também, nós tínhamos aqui na região metropolitana de São Paulo uma fábrica de perfume, então isso não veio do exterior. 

Assim como cidades que são polos como como a cidade de Franca que é um polo produtor de calçado também produz uma gama de falsificação. No ano passado para se ter uma ideia nós realizamos três operações em Franca no total nós identificamos falsificação em pelo menos 14 fábricas e um número bem expressivo.

Então nós temos cidades de Minas Gerais como por exemplo Nova Serrana que tem, a polícia de Minas Gerais executou a operação no ano passado também fechando algumas fábricas e realizando algumas apreensões lá, Nova Serrana também tem diversas fábricas que também produz calçado e o pior para nós ela acaba chegando aqui, esse calçado que abastece o centro de São Paulo também tem uma estrada lá e vem abastecer o centro de São Paulo.

A cidade de Apucarana no Paraná também tem diversos locais da cidade que comercializam e produzem produtos falsificados. Então nós temos essa produção aqui também dentro do Brasil isso não só vem de fora. Tem também aquela gama de produtos que também vêm de fora para serem analisados.


João Carlos NoFake:

E cada vez tem ficado mais restrito também nessa chegada até o Brasil.

Delgado Wagner Carrasco:

Sim, a um combate efetivo nós aqui para trabalhar com relação à pirataria nós temos uma, é preciso ter uma sinergia e o comprometimento dos órgãos e principalmente das pessoas que compõem esses órgãos.

Em São Paulo nós somos privilegiados nesse aspecto posso dizer porque nós conseguimos ter uma sinergia muito grande, nós temos conselhos nacionais e conselhos estaduais e bem como associações que combatem a pirataria e que tem uma sinergia muito grande com o nós da Polícia Civil em especial aqui a Delegacia Antipirataria do Deic, a Prefeitura Municipal que também executou um excelente trabalho no que tange a essa questão de coibir o comércio ilegal. A própria Receita Federal que atua inclusive nos portos e aeroportos, então ela tem essa atuação e tem um trabalho efetivo e a gente troca informações com relação a essas atuações que a gente vai realizar no sentido de implementar um melhor direcionamento uma melhor eficiência no nosso trabalho.

O setor privado, os escritórios de advocacia que representam as marcas e as próprias marcas têm se voltado muito e têm percebido que tem que ser combatido muito a pirataria então procuram nos dar um suporte também nesse sentido. Nós temos a Guarda Civil Metropolitana que também auxilia muito faz parte da prefeitura também auxilia muito nesse combate.

Então nós temos aí diversos órgãos e hoje também a Polícia Rodoviária Federal que também executa um excelente trabalho nessa questão de todo o transporte desses produtos é um local ao outro. Temos hoje uma sinergia entre esses órgãos e buscamos então implementar e desenvolver um trabalho com uma conversa entre nós pra fazer o melhor trabalho possível o trabalho mais eficiente possível e combater a pirataria, e nós entendemos que isso está dando resultado que tem sido bom, não só na questão da pandemia que acabou contribuindo com a diminuição da comercialização de produtos piratas mas também a nossa atuação foi responsável por isso nós já vemos uma mudança de cenário relativo a isso essa questão da pirataria aqui em São Paulo.

João Carlos NoFake:

Chegou uma pergunta aqui pra gente, "quais são os produtos que mais tem sido apreendido nessas operações?"

Delgado Wagner Carrasco:

Nós temos uma variedade uma gama muito grande de produtos. Então nós temos produtos eletrônicos, principalmente acessórios relacionados ao celular haja vista aquilo que volta do comércio haja vista que hoje em dia a difusão do celular é muito grande. Então nós temos muitos produtos eletrônicos principalmente acessórios relacionados. Temos tênis em demasia muito tênis, principalmente roupa também, nós temos muito a roupa apreendida. Então a grosso modo a maioria dos produtos que são apreendidos são esses. Mas nós temos além disso também lâmpadas nós apreendemos lâmpadas cosméticos, remédios álcool em geral máscara de proteção. Então há uma gama enorme imensa de produtos inclusive nós tivemos uma apreensão que foi muito sui generis e que foge à realidade, são casos específicos, poucos casos foram feitos dessa magnitude que é a apreensão de réplicas de veículos famosos, veículos que custam mais de milhões de reais que nós conseguimos também executar um trabalho nesse sentido aqui no Estado de São Paulo e depois outros também Estados acabaram executando trabalhos mais ou menos nesse sentido e até com algumas informações que foram compartilhadas através do que nós fizemos aqui.



João Carlos NoFake:

E falando sobre isso, eu cheguei a acompanhar pela Tv quando saiu teve uma grande repercussão. Qual foi o destino que os carros tiveram?


Delegado Wagner Carrasco:

Estou vendo uma pergunta posso tomar liberdade de responder?

João Carlos NoFake:

Claro, pode sim!


Delegado Wagner Carrasco:

Foi feita uma pergunta ali, "o que é o que acontece com esses produtos depois de apreendidos" e eu já respondo do carro também. A grosso modo o que acontece é que nós fazemos a preensão disto e obviamente a polícia não tem uma estrutura física para manter isso num depósito na polícia num órgão público e nós conseguimos junto às marcas efetuar o depósito para eles, os escritórios de advocacia que representam as marcas ficam como depositários desses produtos levam para um depósito particular e arcam com essa despesa de manter em depósito e nós posteriormente após relatado o inquérito policial, que tem todo o procedimento criminal. A gente representa para que seja dado uma destinação a esses produtos. Em regra a destinação que é dada a esses produtos pelo juiz é a destruição. E com relação aos veículos isso não é diferente com relação aos veículos isso não é não foi diferente. O juiz determina que seja feita a destruição desses produtos inclusive seguindo critérios ambientais etc. Então tudo isso é observado nos locais que fazem têm essa certificação e eles fazem essa destruição. Cabe citar que nós, isso foi uma preocupação também desde que nós chegamos aqui com os outros órgãos também e a Prefeitura Municipal de São Paulo junto com o Estado de São Paulo estão fazendo uma parceria, nós temos um projeto em desenvolvimento que é um projeto muito interessante. Juntamente com os presídios no sentido de que algumas roupas apreendidas nós tenhamos a possibilidade, mas é lógico que isso também o Judiciário terá que se pronunciar nesse sentido, mas nós super Submetemos essa apreciação ao Judiciário no sentido de fazer a doação para que esses produtos então doados sejam doados então a essa parceria entre Estado e Município e nos presídios esses principalmente roupas seriam trabalhadas a eles fazem um processo que é um processo de desfibrilação que eles falam, que aí eles transformam essas roupas esses produtos piratas em roupas lícitas ou então pelo menos aquelas mantas que vão abrigar os moradores de rua esse tipo de coisa então está em desenvolvimento é um trabalho muito bom que quem está à frente dele o eminente secretário executivo Fábio Lepique da Prefeitura Municipal de São Paulo e eles estão executando. Nós estamos vendo como isso vai ficar e a pandemia acabou atrapalhando um pouco também esse processo, como tudo é que nós vamos ver como isso vai ficar e após isso nós vamos dar andamento nesse projeto que eu acho que vai ser muito legal e atender muito bem a população que precisa.

Nesse sentido já damos mais um benefício que além de tirar o produto ilegal das ruas e também dar um auxílio àqueles que precisam através desses produtos que nós tiramos das ruas. 

João Carlos NoFake:

Parabéns pelo projeto realmente consegue resolver dois problemas com uma tacada só, a gente consegui realmente fazer uma grande diferença.

Chegou um outra pergunta que também: "quais marcas mais ficam encima dessa questão da comercialização dos produtos falsos e se os advogados podem apreender?"

Essa pergunta eu não consegui entender bem mas acho que é nessa linha antes "se os advogados podem aprender os produtos falsos."


Delegado Wagner Carrasco:

Vejam só, os advogados eles têm a possibilidade de trabalhar na propriedade imaterial. Eles têm a possibilidade de atuar em várias frentes, eles têm a possibilidade de fazer um pedido cível e entrar com uma ação cível, no sentido de cumprir o mandado junto de um oficial de justiça e com apoio policial se for necessário eles podem fazer essa atuação através da justiça civil, pode também fazer protocolo um pedido junto à Receita Federal para que seja feito através das atividades administrativas da Receita Federal e de fiscalização através da prefeitura eles também têm a possibilidade de estar fazendo essa fiscalização administrativa. Então cabe ao advogado aí ele tem esses meios legais para fazer então essa atuação agora, mas obviamente para que haja para que ele execute uma apreensão de Percy é necessário que ele busque esses meios legais e não haja exclusivamente ao bel prazer se falar desse produto pirata, vou aprender não é bem assim mesmo até porque nós estamos diante de um crime de ação penal privada em que a vítima que é aquele indivíduo que está tendo um prejuízo ou então que é detentor da marca, detentor da patente é o titular da propriedade industrial ou do direito autoral, ele tem que manifestar se na maioria deles e a ação penal privada corrigida até eles têm que se manifestar quanto ao interesse em que tenham alguma atuação enfim nesse sentido. Então acho que eu espero ter respondido a indagação.


João Carlos NoFake: 

Falando um pouco sobre os remédios falsificados que o senhor citou, você tem algum exemplo, sobre os riscos que pode causar a população, as vezes a gente acha que a falsificação afeta só as roupas, tênis, mas tem outros cenários (remédios) também que podem fazer mal.


Delegado Wagner Carrasco:

Sim a falsificação do remédio talvez seja uma das piores falsificações até mesmo porque além desse remédio falso ele tem um potencial muito grande de fazer mal pela obviedade, além disso, no mínimo ele não vai fazer aquele efeito esperado se a pessoa buscar uma profilaxia um remédio/medicação a ela está precisando ela depende daquele medicamentoso, aquele produto medicamentoso pra curar se daquele problema que ele tem no mínimo então não vai fazer efeito nenhum é algo muito grave. É importante que as pessoas tomem muito cuidado ao adquirir um medicamento principalmente se tratando de medicamento de alto custo e se for medicamento que tenham uma autorização para comercializar aqui, mas não tem locais de comercialização trazidos de fora.

Nós achamos um arcabouço de informações na internet com detalhes do invólucro detalhes na caixinha do remédio do próprio frasco desse medicamento em que o indivíduo pode tentar fazer uma comparação para tentar verificar se aquilo é falso ou se aquilo não é falso. Então isso tem que se atentar tem um cuidado nesse sentido haja vista que é muito danoso e muito perigoso.


João Carlos NoFake:

Acabou de aparecer um comentário que "o falso não tem a tecnologia do original é assim realmente será questão de muitas falsificações é puramente estética", a gente parando pra falar um pouco sobre o tênis (falsificado) não tem a tecnologia, todo o desenvolvimento que a marca teve e que tem numa fábrica, inclusive alguns maquinários são desenvolvidos exclusivamente para desenvolver aquele tipo específico de tênis.


Delegado Wagner Carrasco:

Então realmente os produtos e isso o consumidor tem que atentar. Não existe vontade para ninguém a aquisição de um produto pirata, o que existe é prejuízo, prejuízo, prejuízo, não tem o que falar, não tem vantagem pra ninguém.Ou seja o consumidor adquire um produto que não quer um produto que não foi testado certificado e ele não foi produzido com os mesmos padrões de qualidade do que aquele original que depende de uma série de certificações ele é atestado varias vezes para ser submetido à comercialização, o que na verdade não ocorre com o produto pirata é só o primeiro ponto. O segundo ponto é que nós temos algo uma pessoa que nos tem que sustentar a família dela, ela monta o comércio de forma legal segundo as regras estabelecidas pelo direito brasileiro vai cria pagar recolhe todos os tributos inerentes à relação comercial, e aí você vê uma pessoa que tem um produto vende um produto pirata e não recolhe qualquer tipo de tributo. A marca que desenvolve, gasta dinheiro desenvolvendo toda essa logística de dar o melhor ao seu cliente, ela acaba tendo uma violação e o nome dela acaba sendo estampado em um produto de baixa qualidade e acaba atrapalhando, além da questão do prejuízo financeiro por uma queda de venda porque não há uma concorrência leal nesse sentido também se tem a questão de que a imagem da própria marca isso fere a própria imagem da marca e bem como os danos que são de tributos que não são recolhidos tributos e o Estado não pode alocar esses tributos no local que os estudos de política determinaram que eles devessem ser destinados porque são milhões ou bilhões de reais em tributos que deixam de ser recolhidos aos cofres públicos com a pirataria.


João Carlos NoFake:

Tem um dado do FNCP que diz que no ano passado que diz que o setor de vestuário perdeu no ano passado 58 bilhões de reais e deixou de arrecadar só para essa questão da pirataria. Então quem realmente cria um dano imenso pra nossa sociedade. (Veja um artigo sobre os dados do FNCP, clicando aqui).

Falando um pouco sobre essas fábricas onde o pessoal confecciona especificamente calçados em Franca nas operações que participou você pode contar pra gente, como eram essas confecções? As condições (das fábricas de produtos falsificados)?


Delegado Wagner Carrasco:

Certo. O que se tinha de mais peculiar lá era, sim existem fábricas que produzem botas com a marca própria eles têm uma marca que é a marca legalizada. Vou dar um exemplo algum calçado com uma marca própria e além da produção também faz uma produção do pirata em paralelo é o que nós temos em regra. Isso é uma peculiaridade de Franca está em regra. Então eles aproveitam toda a estrutura legal da fábrica para produzir aquela gama de produtos dele para executar a produção do ilegal também. Então é basicamente que nós temos em Franca.


João Carlos NoFake:

São inúmeros as apreensões, no ano passado quanto foi o total de calçados (falsificados) apreendidos lá (franca - SP)?


Delegado Wagner Carrasco:

Do ano passado nós tivemos uma apreensão bem expressiva. Você fala só de Franca?

Só para você ter uma ideia nós fizemos no ano passado cerca de 500 e mais de 535 apreensões no total da mais de 7,5 milhões de produtos foram apreendidos no ano passado e isso representou nos cerca de 79 milhões e meio de reais. Dessa Gama é mais de 10% um pouco mais de 10 por cento cerca de 56 apreensões foram apreensões de tênis e só as apreensões de tênis representaram 14 milhões de reais mais ou menos em uma estimativa e é aí que nós possamos apreendemos cerca de 7 com mais ou menos ativos 141 mil bens e uma apreensão muito pessoal apreensões muito expressivas de tênis.

Para ler a notícia completa: Clique aqui.


João Carlos NoFake:

O trabalho foi bem expressivo se não me engano foram 4 mil toneladas?


Delegado Wagner Carrasco:

Isso em peso é mais ou menos esse número foi 4 mil toneladas (de produtos pirateados apreendidos de DIG/DEIC SP no ano de 2019) é muito muita coisa.

João Carlos NoFake:

Fica até difícil de imaginar o volume disse, né Delegado.


Delegado Wagner Carrasco:

Sim, exatamente o importante é que acaba se dando prejuízo muito grande para esses falsificadores. Muitos deles inclusive acabam com esse prejuízo não conseguindo retornar ao mercado e se impor novamente no mercado. Graças a esse prejuízo que a gente acaba dando pra eles.

João Carlos NoFake:

Isso é muito importante falando nisso mais sobre esses números. Ano passado também foi homenageado por algumas marcas e alguns prêmios internacionais. 


Delegado Wagner Carrasco: 

Foi uma satisfação fruto do trabalho. Na verdade o reconhecimento é muito importante. Eu acabei dizendo que eu sou o porta voz dessas homenagens que na verdade eu só vou lá para recebê las que é uma homenagem a toda a minha equipe. Aqui todo o pessoal que trabalha comigo é uma homenagem àqueles que me colocaram aqui (DIG/DEIC) confiando no meu trabalho. Então todos os que gerenciam direta ou indiretamente esse trabalho relacionado à pirataria e todos aqueles que trabalham conosco da iniciativa privada. Na verdade eu acabo sendo um porta voz recebendo essas homenagens que é uma homenagem em nome deles também é muito legal ter esse reconhecimento e nós acabamos recebendo alguns prêmios algumas homenagens de marcas, por exemplo, a Chanel em Orlando acabou agraciado a gente com um troféu simbólico até representando um dos perfumes mais conhecidos da Chanel, esse troféu que foi muito legal então fiquei muito satisfeito. 

Nós ficamos muito satisfeitos com esse reconhecimento, além disso também nós tivemos fomos reconhecidos por outras associações também tiveram diversas associações, a BPG (Brand protection group) dentre outras, O Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP) também fez uma homenagem assim como fez a outras pessoas que trabalham efusivamente no combate à pirataria nós fomos homenageados também lá em Brasília.


Recebemos uma homenagem da Lacoste reconhecendo o nosso trabalho no encontro que viu uma comitiva inglesa que fazer uma visita eles e aproveitar a oportunidade também nos homenagearam pelo trabalho executado. Então isso acabou sendo muito importante para nós é satisfatório saber que tudo aquilo que a gente porque não é de graça isso acaba, a gente acaba tendo que despender uma grande energia para isso, então essa energia que a gente despende a gente acaba sendo reconhecido e isso é muito bom para nós entendermos primeiro que isso estamos conseguindo fazer algo que é bom que que presta o ao bem comum, estamos conseguindo cumprir a nossa parte ainda que total ou parcialmente, e além disso estamos sendo reconhecidos por isso e outros órgãos estão reconhecendo. Ficamos extremamente lisonjeado por isso né. Até também teve uma indicação à Câmara Municipal para receber uma medalha que não aconteceu por força também da pandemia que isso foi adiado mais uma medalha Tiradentes que eu conheci aqui em São Paulo que seria homenageado pela Câmara Municipal então isso foi um ato bem bacana até pelos serviços prestado aqui em São Paulo.


João Carlos NoFake:

Inclusive eu estava conversando com várias pessoas que a gente convidou para ver essa Live no LinkedIn várias pessoas que reconheceram seu trabalho, já falaram que participaram de operações com o senhor. Fica aqui um comentário que pessoal reconhece muito seu trabalho. Falando sobre operações, o pessoal chegou a fazer algumas perguntas sobre operações que já aconteceram porque acho que é algo que causa certa curiosidade. Então eles pediram para perguntar.

Eu cheguei a separar algumas aqui que foram bem noticiadas. Eu vou pedir pro senhor comentar pra gente começando pela 404 sobre pirataria na internet.


Delegado Wagner Carrasco:

A operação 404 foi uma operação muito interessante e até uma operação de certa forma nova digamos assim porque se relaciona com pirataria de internet.

Aquilo que nós tínhamos da pirataria de CD e DVD a mídia isso se transformou e acabou passando a existir essa pirataria por internet que nada mais é do que a pessoa que extrai de forma legal um conteúdo da internet e difunde ou comercializa de forma ilegal e nós realizamos esse conjunto um trabalho conjunto que foi um trabalho basicamente engendrado pelo Ministério da Justiça o Dr.Vital e Alexandre Barreto são que são delegados do Ministério da Justiça eles estavam à frente disso e acabaram pedindo ao nosso assessoramento voz de contribuímos isso daí vários estados participaram se não me engano 16 estados tinham envolvidos nisso e o Estado de São Paulo acabou tendo o maior número de alvos e nós realizamos eu não me recordo agora muito bem quantos foram os alvos mas foram bastante para várias cidades do interior se eu não me engano cerca de 14 alvos aqui na capital e no interior e também com o auxílio dos colegas aí delegados e policiais civis do interior em razão do cumprimento de mandado de busca. Nós conseguimos efetuar um trabalho convincente um trabalho muito bom que deu um resultado muito efetivo por furto por força de todas essas forças aí e dos órgãos das entidades privadas e associações também que estiveram à frente de estrofes trouxeram a notícia crimes até o Ministério da Justiça para que nós pudéssemos organizar e realizar esse trabalho.

João Carlos NoFake:

E o nome da operação foi uma escolha bem interessante de 404 basicamente porque é um código de erro (em páginas na internet).


Delegado Wagner Carrasco:

Basicamente porque é um código de erro, então quando você tem então um código de erro para acessar qualquer site lá se você não consegue acessar por uma queda tem esse código de erro é porque um dos pedidos que nós executávamos era pra que tirasse do ar o site, então isso com hora tudo ordenado certinho para que não atrapalhe essa operação e a partir do momento que nós executamos a intervenção esses sites eram tirados do ar e diversos milhares de sites foram tirados do ar naquela oportunidade foi uma operação muito exitosa que eu parabenizo o pessoal lá do Ministério da Justiça parabéns colegas dos outros estados. Nós tivemos o prazer de participar.



João Carlos NoFake: 

Foi uma operação muito boa mesmo. O pessoal chegou há comentar um pouco antes sobre os caros teve uma pergunta aqui, nessa operação os caros famosos quantos carros ali foram apreendidos? Onde foi realizada?


Delegado Wagner Carrasco:

A operação foi realizada aqui em São Paulo na capital e na Grande São Paulo tinha no ABC foram na ocasião três ou quatro réplicas de veículo de marcas famosas conhecidas, esportivos que foram apreendidos na ocasião um deles montado já quase completamente com o motor que utilizava o motor nacional um motor potente também mais nacional que um carro nacional. E enquanto os outros ainda estavam lá tinham um protótipo tinha ele estava na fase ainda embrionária começando a ser montado as rodas separadas ostentando a marca os bancos também queriam ser tudo colocado dentro desse caso desse protótipo para ser transformado num carro, numa imitação.


João Carlos NoFake:

A gente comentou também essa questão aqui que teve essa migração do mercado da pirataria entre aspas que saiu um pouco do DVD para as mídias, mas ela migrou para a internet ainda sim se encontra muita mídia, inclusive vocês chegaram a fazer uma grande apreensão também no estado.

Delegado Wagner Carrasco:

Isso foi uma surpresa para nós também porque a gente tem essa ideia hoje que existe na internet serviços de estream, então nós acreditamos que teria muito menos essa questão da falsificação das mídias. Entretanto nós fizemos algumas intervenções nesse sentido mais uma chamou mais atenção o que nós fizemos operação numa mesma data e em dois ou três estabelecimentos mais um deles chamou mais atenção foi difundido pela mídia, divulgado pela mídia na ocasião inclusive excelentes matérias veiculadas de modo geral a mídia televisiva e na mídia escrita que não tinha oito andares, nós até demos o nome de Operação download ela tinha oito andares um prédio repletos de mídias de filmes, mídia de desenhos, mídia de música então tinha muito além das mídias mesmo que eram comercializados por atacado e pelo Brasil todo o setor que fornecia segundo nós ouvirmos ônibus vinham, veículos vinham aqui para buscar uma grande quantidade e levar para outros estados e para o interior também essas mídias, além disso também apreendemos diversas CPUs que a gente chama de Torres vulgarmente que faziam cada uma delas em questão de segundos produziam 10 cada uma dessas torres produziam 10 dessas mídias, nós acabamos de apreender centenas dessas torres, foi um excelente trabalho que agora também muito exitoso. Foi trabalhoso cansativo muito cansativo, mas tivemos êxito em realizar.

Leia a notícia completa: clique aqui.


João Carlos NoFake:

Poxa bem interessante essa operação e falar agora desses tempos de pandemia, essas operações ainda continuam acontecendo, a delegacia não parou, continua fazendo muita apreensão. Acho que até de certa forma surpreendeu os falsificadores não sei se eles esperavam que isso fosse acontecer você pode comentar pra gente, ontem também teve uma operação.


Delegado Wagner Carrasco:

Sim, vou aproveitar diz se você me permitir vou responder à pergunta da Ana, perguntando "qual a maior apreensão que foi feita?" Talvez as maiores apreensões que nós fizemos foi uma delas diz respeito essa que eu falei dos DVDs foi uma grande apreensão mas a maior delas foi em um shopping situado no Brás em que de lá nós tiramos 370 toneladas de produtos piratas dentro desse shopping.

Nós trabalhamos quatro dias da manhã até a noite para retirar todos os produtos envolvemos cada dia de trabalho mais de 100 pessoas trabalhando e isso efetivamente efusivamente e nós conseguimos realizar esse trabalho foi um trabalho também muito bom realizado no Centro de São Paulo no Brás e você tinha perguntado com relação à pandemia com relação à pandemia eu falei nós mudamos a estratégia como o comércio estava fechado nós acabamos atacando a fonte onde eles produziam porque inicialmente você se recorda sempre que aquela era o pico da pandemia porque é um vírus novo ninguém ainda sabíamos nós estão conhecendo esse vírus ainda os especialistas está conhecendo esse vírus, sempre tinha o pico da pandemia vai ser essa semana, a partir do mês que vem disse que era expectativa vai voltar e nisso eles efetuavam produção pensando nessa volta ou então produzir aquilo que poderia ser vendido pela internet ou então produzia se álcool em gel, máscara de proteção, nós tivemos uma ajuda muito grande do pessoal da Anvisa também deu um suporte muito grande para a gente em consultas. O pessoal da Anvisa trabalhou muito nesse sentido inclusive com medicamentos falsificados eles nos auxiliam muito nesses trabalhos de falsificação é o que eu falei são os órgãos interligados, mudamos e eles não esperavam é porque eles achavam que a polícia de certa forma estava parada mais duas categorias e algumas outras. Mas a segurança pública basicamente não parou. Nós evitamos tomamos todos os cuidados devidos mas nós não paramos de trabalhar durante toda a pandemia trabalhando na medida do possível dentro daquilo que dava executando os trabalhos.


João Carlos NoFake:

Um trabalho ativo e muito ativo. Tem uma pergunta sobre a Polícia Federal se ela se envolve em operações na internet, ele comentou que já ouviu falar que ela derrubou um site da Internet, não sei se o senhor sabe comentar alguma coisa sobre isso.


Delegado Wagner Carrasco:

Sim a Polícia Federal também executa alguns trabalhos. Esses trabalhos relacionados à internet também não tenho um conhecimento profundo totalmente sobre esses trabalhos que a gente não acaba não participando eles fazem, mas eu vejo também da mesma forma que quem fez a pergunta aí também ver pela televisão a gente acabou vendo, a gente está atento a esse tipo de trabalho. A gente acaba vendo da mesma forma.

João Carlos NoFake:

Quando a uma operação também pode ser que vocês têm umas trocas de informação pra ser mais efetivo.


Delegado Wagner Carrasco:

Sim quando algum órgão não consegue ou precisa de uma colaboração do outro a gente sempre conversa porque um auxilia o outro no sentido da realização do trabalho.


João Carlos NoFake:

Fiquei curioso aqui sobre a operação no Brás, quantos caminhões precisaram pra retirar todo esse material de lá?

Delegado Wagner Carrasco:

Nossa você sabe que eu tinha isso em mente até pouco tempo atrás, mas eu não me recordo, mas foram centenas de caminhões que foram utilizados lá.

João Carlos NoFake:

É com quatro dias de trabalho e muita coisa mesmo.

Delegado Wagner Carrasco:

Todos os dias nós tínhamos uma logística diferente encostava caminhões e carretas grandes articuladas que a gente encostava lá enchia ou levava então por dia, tinha dezenas por dia dezenas de caminhões por dia que eram enchidos e levados ao depósito e aí voltavam e enchia o depósito e era assim que a gente trabalhava numa rotina cansativa bem cansativa, foi basicamente um crossfit.

João Carlos NoFake:

Imagino. Mas é realmente um trabalho muito expressivo. Falando assim de operações na cidade agente chegou a ter conhecimento de uma operação que teve em Santa Catarina, sei que o senhor não esta dentro disso, mas que eles tinham uma área que eles conseguiam distribuir pelos Correios para pessoas que compravam pela internet. O senhor pode falar um pouco sobre isso? Vocês tem monitorado esse crescimento na internet?

Delegado Wagner Carrasco:

Sim nós temos monitorado a internet em todos os setores tem crescido e por isso que há uma migração e a utilização nesse período de pandemia e quarentena, então também teve um aumento à comercialização pela internet e nós temos sim monitorado e buscando meios de atuar nesse sentido.

João Carlos NoFake:

Sim, por conta da pulverização das lojas pequenas torna um pouco mais difícil para a na sua visão?

Delegado Wagner Carrasco:

O que dificulta na verdade o trabalho e a grande quantidade de lojas que comercializam. Isso dificulta sobremaneira. Então nós temos a pulverização isso dificulta porque nós temos uma limitação de pessoal no que tange que trabalho no segmento e olha que eu sou privilegiado de ter uma equipe que é bem disposta e que trabalha bastante e são incansáveis e dedicados, mas de certa forma o número de locais que comercializam produtos piratas é muito expressivo. Então a gente tem que atuar dentro daquilo que a gente tem condições de atuar e a gente vai priorizando tomando as nossas prioridades aqui.


João Carlos NoFake:

Chegou um comentário aqui que eu achei interessante queria que o senhor fizesse um comentário sobre o seguinte: comprar pela internet tem ficado cada vez mais difícil muitas réplicas. Esse nome réplica que caiu na boca do povo, acho que a gente deveria falar sobre isso deixar claro que quando se trata de um tênis de uma marca conhecida de uma camisa, isso não é uma replica, ela é uma falsificação.

Delegado Wagner Carrasco:

Perfeitamente à sua asserção foi perfeita ou seja para que haja uma réplica para que se dê uma réplica é necessário uma autorização do titular da marca e isso a marca dificilmente vai conceder, exceto se por algum evento ou algo assim é muito raro de ver essa autorização é uma questão de mercado. Você disse tudo, nós não temos réplicas na verdade nós temos falsificação em alguns aspectos contrafação não réplicas.

João Carlos NoFake:

Então pessoal, por favor, não caiam nessa que é uma réplica, alguém que apareceu olha tem um tênis da marca X é uma réplica, não é uma réplica, não existe, a marca não autoriza uma criação de réplica pra esse fim.

O delegado queria fazer algumas perguntas, abrir para algumas perguntas que deixaram aqui, já está com os últimos 10 minutos da live.

O que a gente como um cidadão de bem pode fazer quando a gente tem ciência de que tem um produto falso sendo vendido em uma loja ou existe um armazém, uma fábrica desse produto.

Delegado Wagner Carrasco:

Há várias possibilidades de a pessoa contribuir realizando uma delação e denunciando esse tipo de conduta, um deles seria a denúncia anônima que pode ser feita através de uma ligação para o 181 basta ligar para que a polícia tome as providências pertinentes é bem possível que no Estado de São Paulo principalmente na capital isso venha cá e aqui para nós tomarmos as providências pertinentes. Seria bom de bom grado se pessoas pudesse contribuir.

Para denunciar online no site da policia civil de São Paulo, clique aqui.

João Carlos NoFake:

Então pessoal em São Paulo se puder denunciar é bem importante, e pra quem tá no resto do Brasil, seria uma denúncia, mas caso não tenha delegacia especializada de outros estados do país.

Delegado Wagner Carrasco:

Em alguns estados nós temos a delegacia especializada e em alguns estados nós temos na delegacia que não é especializada mas tem atribuição para a realização ou se convencionou que aquela determinada delegacia vai realizar e aqui em São Paulo nós aqui do Deic da 1ª Delegacia da DIG somos a única delegacia especializada nesse tipo de delito. Nós temos a especialização a expertise para trabalhar com relação a esse tipo de delito aí que de modo geral aí eles tratam como delito de pirataria mas são os crimes contra a Propriedade Imaterial de modo geral também na propriedade industrial direitos autorais etc.


João Carlos NoFake:

Já estamos no finalzinho da Live, quem quiser podem mandar suas perguntas;

Apareceu uma aqui, pode denunciar qualquer venda de falso produto falso?

Delegado Wagner Carrasco:

Não só pode como deve, até um dever do cidadão aí que nos auxilia muito faz com que a gente tenha um levantamento muito bom os escritórios de advocacia também tem um levantamento bom, os escritórios que representam as marcas têm esse levantamento. Mas isso contribui para nós qualquer produto.

João Carlos NoFake:

Chegou outra pergunta aqui: Qual o produto e marca mais falsificada?

Delegado Wagner Carrasco:

Existe uma diversificação muito grande nós temos vários produtos que são falsificados e as marcas mais famosas e mais conhecidas que você mesmo sabe que são aquelas mais comercializadas são as marcas mais falsificadas porque aquelas que têm um apelo de mercado maior é que elas são essas marcas que são as mais falsificadas aquelas que vocês mais veem também no comércio quando você circula, vai procurar um produto então essas são as mais falsificadas.


João Carlos NoFake:

Delegado uma pergunta minha: em sua opinião quais são os caminhos para poder acabar com a pirataria. É possível a gente acabar com a pirataria?

Delegado Wagner Carrasco:

Na verdade seria uma pretensão de mais gente assim como os outros crimes, nós vamos acabar o caminho para acabar esse é ter uma receita uma fórmula mágica mesmo porque isso é mutável, mas isso é sazonal também altera de tempos em tempos, mas assim nós temos nós estamos utilizando uma forma que o objetivo é diminuir esse tipo de crime combater efetivamente esse tipo de crime. Essa é nossa intenção, deixar um cenário muito melhor quando a gente não mais tiver na frente disso deixar um cenário muito melhor do que nós pegamos quando nós chegamos ou então tentar melhorar isso socialmente, só que o principal seria a consciência social, se nós não tivéssemos público que buscasse o produto pirata ou produto falso nós não teríamos falsificação.

Então esse é o ponto crucial a contribuição da população e aí nós poderíamos até pensar em ter um extermínio da pirataria se todo mundo se conscientizar, se todos se conscientizassem e ninguém comprasse mais falsificado, não existiria esse mercado.


João Carlos NoFake:

Sim, a gente tem observado que é um trabalho até para alertar as pessoas sobre os riscos e o que a gente percebe que nós temos tido muito apoio, com relação a esse trabalho da população a gente recebe muitas mensagens no direct falamos sobre o trabalho, pessoas que se importam com essa questão de estar adquirindo um produto original que sabe o quanto é doloso para a marca o quanto a marca sofre com esse mercado e quanto a população também sofre, estão sendo prejudicada mesmo que indiretamente, não usando o produto, mas deixa de arrecadar impostos, e uma serie de coisas que podemos citar aqui.

Outra pergunta que apareceu aqui é se a pandemia aumenta a pirataria diretamente? Acho que é muito a migração do mercado.

Delegado Wagner Carrasco:

Sim, não teve, o que a gente acredita mas não temos uma pesquisa mais pela percepção que não houve um aumento da pirataria nesse tempo, talvez tenha havido uma percepção por conta daqueles que também estão fazendo um Home Office estão mais em casa e acesso mais à internet, mas nós que trabalhamos no dia a dia com essa percepção que nós temos é que continua havendo a pirataria mas a pandemia até por conta do comércio fechado ela até diminuiu em tempos de pandemia porque o comércio físico o comércio as portas abertas deixaram de existir fechou a porta e o meio buscado foi a internet. A gente acredita pela percepção não é com bases técnicas que não tenha ocorrido um aumento, o que eu falo conciliado esses dois fatores de trabalho efetivo dos órgãos públicos e privados dessa parceria a sinergia entre os órgãos que eu falei no início da nossa apresentação da disposição dos profissionais que estão diante disso e mais a pandemia também acabou auxiliando um decréscimo nesse tipo de prática.


João Carlos NoFake:

Delegado, em alguns minutos o Instagram vai chegar a nossa Live, então se o senhor quiser fazer suas considerações finais eu quero agradecer muito pelo seu tempo, sei que é difícil a gente conseguir uma agenda, o senhor trabalha bastante.

Quero agradecer por ter vindo aqui falar sobre esse tema que é muito importante a gente conversar com a população se puder fazer essas considerações finais.


Delegado Wagner Carrasco:

Novamente eu gostaria de agradecer o espaço, ccho importantíssimo a gente estar externando essa preocupação e esse apelo com relação ao combate à pirataria é importante eu fico contente de terem pessoas que estão interessadas nesse propósito e auxiliar a diminuição da pirataria, e eu faço um apelo para que não adquiram os produtos piratas, me coloco inteiramente à disposição nós estaremos trabalhando para diminuir esse tipo de atividade aqui no Estado de São Paulo na cidade de São Paulo e até no Brasil no próprio país, então a gente conta com vocês com a colaboração de vocês que não adquiriram produtos piratas. Isso é perigoso. 

Delegado Wagner Carrasco
Delegado Wagner Carrasco

Agradecemos ao delegado Wagner Carrasco por participar da live para falarmos de um tema muito importante, o combate a pirataria no estado de São Paulo, um estado tão importante em nosso país e que está dando exemplo nas ações de combate a pirataria.